Garantir o abastecimento de água, preservar as culturas: por que é que a segurança alimentar começa no solo?

19. Jun 2026 | Todos

A Cimeira Mundial da Áustria de 2026, que decorreu no Hofburg, em Viena, centrou-se em várias soluções para os desafios das alterações climáticas. Políticos, cientistas, empresários e decisores internacionais debateram como as sociedades podem tornar-se mais resilientes ao aumento das temperaturas, às secas e aos fenómenos meteorológicos extremos.

Houve uma ideia que esteve presente em muitas das discussões: a adaptação às alterações climáticas já não é uma questão para o futuro, mas sim um problema urgente do presente. Isto é particularmente evidente na agricultura. À medida que a população mundial cresce, muitas regiões agrícolas estão a ficar sob uma pressão cada vez maior. O principal desafio, portanto, é:

Como é que podemos continuar a gerar rendimentos estáveis no futuro, se a água está a tornar-se cada vez mais um fator limitante?

A resposta não está apenas na irrigação adicional. Pelo contrário, o uso eficiente da precipitação existente está a tornar-se cada vez mais importante. O solo desempenha um papel central nisto. Cada litro de água armazenado na zona radicular após uma chuva permanece disponível para as plantas, mesmo durante os períodos de seca. Quanto melhor os solos conseguirem absorver e reter água, mais resistentes as culturas ficam ao stress hídrico. Esta capacidade está a tornar-se cada vez mais um fator decisivo para o sucesso. A par da seleção de variedades, da fertilização e da gestão das culturas, a capacidade de retenção de água do solo está a assumir um papel central na agricultura moderna.

As tecnologias e medidas que ajudam a reter a água no solo por mais tempo podem contribuir para estabilizar os rendimentos e reduzir a dependência de irrigação adicional. Esta abordagem está a tornar-se cada vez mais importante, especialmente em regiões com precipitação irregular.

Para Green Legacy, esta ideia é um elemento central da adaptação climática sustentável. Afinal, a proteção do clima não se resume apenas à redução das emissões. É igualmente importante desenvolver soluções que ajudem as plantas a lidar com as mudanças que já se fazem sentir.

A Cimeira Mundial da Áustria mostrou que muitas destas soluções já estão disponíveis. A questão principal já não é se precisamos de agir, mas sim com que rapidez conseguimos pôr em prática medidas eficazes.

Afinal, o futuro da segurança alimentar não começa no campo — começa no solo.